
Por dois dias, o Brooklin paulistano ganhou sotaque nova-iorquino.
Nos dias 15 e 16 de agosto de 2026, a Praça Lions Monções recebeu uma edição especial do Brooklin Taste, festival gastronômico que celebra quatro anos de história com uma proposta diferente: transformar o bairro de São Paulo em uma viagem ao Brooklyn, em Nova York.
Com entrada gratuita, o evento reuniu mais de 40 operações gastronômicas, música ao vivo, atividades esportivas, experiências de bem-estar, atrações para crianças, espaço pet e feira de artesanato. Mais do que uma feira de comida, a proposta é criar um ponto de encontro para moradores e visitantes, com uma experiência urbana, ao ar livre e acessível.
O sabor de Nova York
A inspiração aparece primeiro no prato.
Entre os destaques desta edição está o Labaki Deli Shop, comandado pela chef Paula Labaki, que apresenta um sanduíche de pastrami inspirado no clássico Katz’s Delicatessen, além do Reuben Labaki, com pastrami, emmental e molho Russian.
A New York Slices aposta em outro ícone da cidade: a pizza em fatia, de massa fina e flexível, feita para ser dobrada e comida no melhor estilo nova-iorquino. Eu provei a super fatia de quatro queijos e me fez viajar para Manhattan por alguns instantes.
O cardápio ainda passeia por referências como mac & cheese, corn dog, cookies, cheesecake, poke, sanduíches, carnes defumadas e frutos do mar.
Mas talvez esteja justamente aí uma das características mais interessantes do Brooklin Taste: apesar do tema nova-iorquino, o festival não tenta reproduzir uma única cozinha.
O Brooklyn aparece como inspiração para reunir diferentes culturas à mesma mesa algo que, afinal, também faz parte da identidade gastronômica de Nova York.
Culinárias japonesa, árabe, portuguesa, brasileira, italiana e americana dividem espaço com restaurantes e marcas já conhecidos do público paulistano.

E o vinho entra onde?
Entre tanta comida de rua, clássicos americanos e sabores de diferentes partes do mundo, as bebidas também ganham espaço.
A edição conta com vinhos nacionais e internacionais, além de outras opções e ativações de marcas de bebidas.
E talvez essa seja uma das melhores formas de olhar para um festival como esse: vinho não precisa estar restrito à mesa formal, ao restaurante sofisticado ou a uma ocasião especial.
Ele também pode acompanhar uma experiência descontraída, uma fatia de pizza, um sanduíche de pastrami ou simplesmente um encontro entre amigos.
A escolha, claro, muda de acordo com o prato.
Um vinho mais fresco pode funcionar muito bem com preparações mais leves e condimentadas. Para carnes defumadas e sanduíches mais intensos, tintos de maior estrutura podem fazer mais sentido. E, para quem prefere algo versátil para circular pelo festival inteiro, espumantes e brancos com boa acidez podem ser ótimos companheiros.
No fim, a graça está justamente em experimentar. Eu fui de Chardonnay da chilena Toro de Piedra, super refrescante.

Um festival que vai além da gastronomia
A programação também reforça o caráter de encontro do Brooklin Taste.
Teve de aula funcional, CÃOminhada e corrida de 3 km, além de shows ao longo dos dois dias. A programação musical teve nomes como Kell Smith e DOM Paulinho, além de Villa Voice In Jazz, Session Groove, SalDoce, 3DIAS e Vai Bless.
Para as famílias, oficinas e atividades infantis. Para os pets, uma área dedicada. O festival também recebeu artesãos do programa Mãos e Mentes Paulistanas e atividades do Sampa + Rural.
É uma combinação que diz muito sobre o formato que os festivais gastronômicos vêm assumindo em São Paulo: comer deixou de ser o único motivo para sair de casa. A comida virou parte de uma experiência maior, que envolve música, cultura, lazer, convivência e descoberta.
Quatro anos depois
Ao celebrar quatro anos, o Brooklin Taste parece ter encontrado uma identidade própria: usar a gastronomia como ponto de partida para aproximar pessoas.
Nesta edição, a escolha do Brooklyn como inspiração faz ainda mais sentido.
São dois lugares com o mesmo nome, separados por milhares de quilômetros, mas conectados pela ideia de diversidade, vida urbana e mistura cultural.
Por algumas horas, não é preciso pegar um avião para experimentar um pouco dessa atmosfera.
Basta chegar ao Brooklin.
E, entre uma pizza, um pastrami, um cheesecake e uma taça de vinho, descobrir que Nova York também pode caber em uma praça de São Paulo.
RADAR Debora
O que mais me chamou a atenção nesta edição do Brooklin Taste foi a capacidade de transformar um festival gastronômico em uma experiência que vai muito além da comida. A inspiração em Nova York funciona porque o Brooklyn também é essa mistura de culturas, sabores, pessoas e estilos.
E, para mim, é justamente aí que o vinho ganha espaço: não como protagonista obrigatório, mas como parte da experiência. Entre uma fatia de pizza, um pastrami ou um encontro com amigos, uma taça pode transformar o momento e essa é uma maneira muito mais leve e democrática de falar sobre vinho.
Meu radar? Vale experimentar o festival sem pressa, circular, provar coisas diferentes e, claro, escolher uma taça para acompanhar a experiência. Afinal, beber melhor também é saber aproveitar melhor o momento.
Quem perdeu este final de semana super especial, não desanime, já pode se programar pois em Novembro teremos mais um para aproveitar tudo isso e muito mais. Fiquem ligados no Instagram @brooklintaste e @deborajuneck.
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